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Semana do submarino 2 – classe Los Angeles e sufoco pessoal

Você, turistinha, o que espera de um sossegado passeio de barco pelo litoral? Ver gaivotinhas, gatinhos sarados de jet ski, gatinhas saradas na areia?

Pois em Portsmouth, no litoral sul da Inglaterra, não tem nada disso, mermão. A cidade abriga a maior parte da frota de guerra da ilha e é ponto de parada da marinha americana em missões no Oriente Médio. Fragatas, porta-aviões, destróiers, toda a gama de navios de guerra em prol da justiça e da paz mundial. Vai vendo.

E como é que a marmita que vos fala foi parar lá? Pois é, fui lá atrás do HMS Victory, o lindíssimo barco do Almirante Nelson…mas levei de “brinde” um submarino americano, “prontinho para entrar em ação na Líbia”, anunciou o guia da excursão, com a naturalidade de quem mostra o prédio da prefeitura prum bando de velhinhas do Rotary.

Gelei.

Era um legítimo exemplar da classe Los Angeles. Se você não viu “Caçada ao Outubro Vermelho”, titia explica o que é esse bicho. Trata-se de um submarino movido a energia nuclear, capaz de ficar anos embaixo d´água. “Seu reator é tão potente que, se algo acontecer, metade da Inglaterra vai pelos ares”, continua o simpatissíssmo guia. No meu cabeção, ecoava aquela marchinha militar dos americanos.

E a mêda imperava. Afinal, nosso barco estava a menos de 200 metros de distância do brinquedinho que, depois soube, tinha 7 mil toneladas. Se acontecesse alguma coisa, eu, o consorte, as tias velhas, o moleque remelento e o guia filho da mãe iríamos virar patê em segundos.

Diante das caras de pânica (minha e duma turista italiana histérica) e de regozijo (de meia dúzia de camaradas bombados com cara de, hum, americanos), o guia resolveu encher o peito e desfiar todos os seus conhecimentos sobre a máquina.

Submarino classe Los Angeles paradão na base naval de Portsmouth, sul da Inglaterra

O bichão lá na frente carregava 36 mísseis Tomahawk (lembra? Aqueles da guerra do Golfo e do Iraque) que podem ser lançados pela parte de cima do submarino, além de outras dúzias de torpedo (tio, me empresta um? É pra eu enfiar… na boca do guia!). Mentalmente, fiquei pensando quem ia ficar cuidando dos gatos caso eu passasse dessa para uma melhor, enquanto ouvia o guia palhaço puxa-saco dos ianques dos inferno dizendo que aquele troço viajava a cerca de 50 quilômetros por hora e podia submergir a quase 300 metros de profundidade. Meu Deus, pobre Líbia.

Isso foi em agosto deste ano. O submarino sequer foi usado. Ufa. Na verdade, um Los Angeles entrou em operação apenas uma vez em batalha. Foi na Guerra das Malvinas, aqui na Argentina. O exemplar da marinha britânica abateu uma embarcação dos hermanos. Juro que fiquei com dó.  Sério. Para de rir, eu tou falando sério!

O piloto do barco resolve dar uma buzinadinha pros caras que estavam em cima do submarino. Socorro! Graças aos deuses, o moço lá não invocou. Até deu tchauzinho pra gente. Achei fofo.

De volta pra terra firme depois de uma hora de tortura militar, resolvemos tomar o rumo do hotel. Já estava relaxada e até rindo do meu desespero quando dou de cara com essa placa aqui, ó.

nível de alerta para ações terroristas em Portsmouth, inglaterra

Sempre alerta: base naval de Portsmouth pronta pra responder a um ataque terrorista. Danadinhos!

Amanhã eu juro que trago para vocês um troço mais light. Beijo na bunda!

A semana do submarino – parte 1 – prefácio

Nos últimos 30 dias, 32 internautas incautos chegaram neste modesto blog a partir de busca pelo termo “submarino”.

Será que é por causa do site de compras? Duvido.

Mas eu sou fascinada por essas máquinas. Elas são capazes de arrancar lágrimas

Modestinho, o submarino do Paul Allen vale US$ 25 milhões

Modestinho, o submarino do Paul Allen vale US$ 25 milhões

de emoção do meu ser (juro). É uma mistura de mêda profunda, excitação e curiosidade.

Pena que eu não tenho US$ 100 milhões para comprar um exemplar do Phoenix 1, submarino civil com área de 1,5 mil metros quadrados (mais de dez vezes maior do que o meu cafofo) e que chega a300 metrosde profundidade – lá, o visitante pode ver o quão fundo está o meu saldo negativo no banco.

Submarino civil Phoenix 1

Submarino civil Phoenix 1, por US$ 100 milhões

Mas como sou brasileira e não desisto nunca, vou juntando uns caraminguás para dar uma volta no Seattle, um submarino amarelo com cara de brinquedo que custa US$ 25 milhões. O Paul Allen, o poderosão da Microsoft, tem seu próprio exemplar. A pobre mortal aqui deverá desembolsar US$ 2,5 mil para passar 24 horas dentro do bichinho. Só tem um problema: preciso achar outros cinco imbecis corajosos pessoas que topem desembolsar a pequena fortuna para ficar trancado comigo embaixo d’água, sem chance de escapar. Mas ofereço uma vantagem: o viajante garante a visão de uma baleia de qualquer jeito – dentro e/ou fora da cabinde. Dã!

Modestinho, o submarino do Paul Allen vale US$ 25 milhões

Então, para dar uma agitada neste espaço, resolvi fazer a semana dos meus submarinos. Não são os meus prediletos – na verdade, eu não tenho favoritos. Mas é que recentemente andei topando com uns submarinos por aí. Um deles, de verdade. Nos próximos dias, deixo aqui a saga submersa. Beijo na bunda.

Da série “Onde Patrícia Nakamura estava com a cabeça quando” … comprou um CD de gaita de fole?

Férias. Intervalo merecido para corpo e mente, a ser desfrutado langidamente em meio a uma paisagem deslumbrante entre o mar e o campo, certo?

Errado.

Pra mim, férias são aqueles dias em que eu amasso minhas roupas numa mala desproposital – em que faltam coisas e sobram outras no fim da jornada -, pulo do aeroporto pra estação de trem, tiro um monte de fotos tremidas e, em ritmo de gincana do SBT, começo o dia visitando um mosteiro (emendando com castelo-museu-mirante-bistrô-monumento) e termino, com a língua de fora e os pés no maior estilo Abaporu, no boteco menos recomendado da cidade.

E, é claro, são dias de gastar dinheiro com toda a sorte de cacarecos imbecis à disposição dos turistas empolgadões.

Eu, apesar de ter resistido bravamente às tentações por dias, acabei caindo na tal armadilha nas minhas últimas férias.

Não me perguntem o porquê, mas fui parar em Glasgow no mês passado – não, não conheço vivalma por lá. Disseram que a cidade era legal e eu acreditei. Ao contrário dos municípios vizinhos, repletos de atrações, Glasgow não é uma cidade turística. É linda, cosmopolita, cheia de arranha-céus, cheio de gente bacana, mas meio sisuda.

Bem naquele fim de semana, a cidade abrigaria o Campeonato Mundial de Bandas de Gaita de Fole. Isso mesmo. Bandas de 12 países (entre eles Paquistão, Canadá e Austrália) esmerilham suas gaitas e bumbos em busca da glória mundial.

Você já ouviu uma gaita de fole ao vivo? Para os desacostumados, é mais ou menos como estar no meio de abelhas com TPM que resolveram montar uma colmeia dentro de um órgão de igreja. Dá vontade de abater a gaita (não o instrumentista, que costuma ser um fofo) a tiros. Causa muita dor na alma e perfuração no tímpano.

Mas voltemos ao campeonato. Sem mais nada para fazer em Glasgow, fui acompanhar a peleja internacional.

E não sei se foi a visão de vários louros altos de saia xadrez, a cerveja quente ou a batata recheada com haggis (cozido de miudos de ovelha)... o fato é que eu me joguei de corpo e alma, curti horrores. Torci pelo time da casa, filmei as apresentações, tirei fotos tremidas, levantei kilts de incautos e circulei satisfeita por horas.

Mas não era o suficiente para eternizar o momento. Eu precisava de um recuerdo da progressista Glasgow.

Lembre-se: Glasgow não é para turistas. Portanto, nada de chaveiro. Nem um ímã de geladeira sequer. Nem toalhinha. Uns postais vagabundos e olhe lá. Até que...

Naquela loja, naquela prateleira, ali no fundo, vejo um CD com uma capa inebriante (medonha), com o título “Pararell Tracks”. Era a coletânea dos maiores clássicos da gaitinha executados pela Banda-Marcial-Real da Escócia, ou algo parecido. Ao invés de guardar a grana para um café com bolo, torrei 12 libras no disquinho, o equivalente a 35 reais. Valeu a pena, pensei.

Pulo no tempo.

Ao voltar para São Paulo, já saudosa das minhas férias e sedenta por outras, resolvo ouvir o CD no carro.

Às 6h30 da tarde, tentando descer a rua da Consolação.

Aquele fuén-fuén-fuén misturado com buzinas de motoboys, motor de ônibus desregulado foi demais para meus pobres ouvidinhos. Foi "me dando nos nelvo".Esmurrei o volante, ri da minha própria cara, arremessei o CD no banco de trás e me afundei em autocomiseração.

Hoje, o pobrezinho está lá, dentro de uma imensa caixa de trastes recolhidos em viagens anteriores: pratinhos, canetinhas, camisetas, bonequinhos, chaveirinhos, vidrinhos de areia colorida, colares de miçangas... uma memorabilia de desperdício e cafonice.

A caixa me faz prometer não cometer mais essas pequenas extravagâncias que só ocupam espaço e custam verdadeiras fortunas. Juro que desse beliche eu caio mais.

Pelo menos, até a próxima viagem.

Réquiem para a coleção de caixa de fósforos

Eu tenho complexO de esquilo. Ou estou buscando alguma explicação para minha incorrigível mania de juntar cacarecos inúteis. Sim, eu sou capaZ de armazenar itens inexplicáveis. Ou Alguém além de mim tem um genuino sombrero mexicano todo cheio de lantejoula enfeitando o  escritório? Eu tenho.

E estou numa mania de dar embora tudo que 1)  não cabe mais na minha vida ou no meu corpo 2) ocupa espaço 3) pode ser mais útiL para alguém do que para mim 4) que eu enjoei 5) que tem em duplicata em casA.

Entre roupas, livros, marido (rá), utensílios domÉsticos, CDs (eu ainda tenho mais de 500), a coleção de caixas de fósforo também será passada pra frente. Sem aPerto no coração, porque os exemplAres farão parte do enorme acervo da querIda Anna Maria.

Algumas foram colhidas por mim ao longo Dos anos. E também ganhei outrAs caixinhaS de gente que sAbia da minha mania. E herdei dezenas deLas de uma amigA, que por sua vez tiNha recebido a coleção De um outro amigo. Juntas, devEm somaR umas 300 unidades.

A caixinha de fósforo virou um mimo em extinção por aí, por conta da proibição do fumo até dentro de casa de fumante. Eu nunca mais consegui pegar – nem em hotel, nem em balada, nem na clínica de otorrinolaringologia.

Eu não sou fumante. Por sorte meu organismo rejeita qualquer tipo de vício (senão eu estaria lascada). Mas eu era capaz de fumar pencas, seja por sem-vergonhice,  para fazer companhia pra cerveja, ou para puxar assunto na balada. Larguei sem drama. Mas a mania da caixinha ficou.

Resolvi dividir com vocês algumas caixas curiosas. Dá só uma olhada:

Ah, as letras em negrito não são erros. É uma dica para quem ainda está lendo “A Menina que Brincava com Fogo”, da série Millenium. Se você não quer ficar chateado, não junte as letrinhas…

Enquete da semana: atropelada pelo trio elétrico

Babá de robô ou adestrando um monte de lata

r2

Sonhos alheios devem ser respeitados. Porque senão a pessoa pode jogar eternamente na sua cara que virou um ser amargo e descrente porque não realizou algo por SUA CAUSA.

E foi por isso que eu suportei estoicamente a compra desse treco aí em cima pelo meu amo-e-senhor. É sim, é um R2-D2, aquele robozinho que faz barulhinhos irritantes engraçadinhos à guisa de diálogo. O mané não quis despachar na mala o tal brinquedo de jeito nenhum e estava cogitando me colocar na mala só pro robô ficar a salvo na poltrona. VSF.

Fui encarregada de zelar pela integridade física do meu novo enteado. Arranquei da caixa, fiz uma caminha e enrolei o bicho no meio de um monte de roupa suja e com a mantinha roubada do voo da ida. Claro que o mané da Segurança fez a gente tirar aquele ninho de rato da mochila para averiguar se não estávamos botando em risco a soberania nacional. Peraê, o robô é simpatizante dos Jedis!

RD foi a primeira coisa que saiu das malas. Não demorou nem cinco minutos para ganhar pilhas e ter o manual de instruções lido de cabo a rabo. A peça atende a comandos. E é claro que sobrou pra imbecil aqui fazer as vezes de adestradora de brinquedo. E o marido só olhando, rindo e dando palpite ao invés de mexer o traseiro gordo e limpar a bunda do filho que é 100% dele.
É assim: A gente fala “Ô, Arthur” e ele responde. E aí é só pedir para fazer umas graças. Ele supostamente atende a coisas como “vire à direita”, “Dance”, “fale se você lembra do Darth Vader” e “Vigie o quarto”.

Supostamente.

É claro que o R2 é um monoglota filho da puta. E só entende inglês. E é claro que minha pronúncia piorou 90% desde que deixei de trabalhar pra gringolândia, circa 2000. E quando eu falo “Do you remember Darth Vader?” o viado entende que é para sair rodando feito baiana. “Play the Message”? O mané pisca as luzezinhas e sai andando.

Quer mais? Ele MAGOA. Sério. Se você grita com ele, ele faz um trilili tristonho e não atende mais a nada.

Enteado a gente trata bem. Então tratei de tirar as pilhas e de pendurar o pentelho bem no cantinho do móvel. Quem sabe ele não se joga e quebra a cabeça, né?

Não sei porque, mas fiquei com saudades do tamagochi.

Cartinha amiga

cartinha

Não contente com o banzo das férias, o cansaço e o mau humor… vem o constrangimento. Desfazendo as malas, dou de cara com esse bilhetinho fofo da TSA (a autoridade que cuida da segurança aérea daquele paiseco). Tudo bem que a mala ficou mais arrumada do que ela estava. Mas… poxa, mexeram nas minhas calcinhas. Calcinhas sujas. Eu fico pensando num tarado manuesando as bonitinhas. Vontade de jogar tudo fora… eca!